Avançar para o conteúdo principal

Dificuldade de engravidar e endometriose


Após cinco anos de casada tentando engravidar, ouvi de um ginecologista que dificilmente eu seria mãe. Fui diagnosticada com endometriose e um endometrioma no ovário esquerdo. Aquela notícia me fez chorar o dia todo, sendo inevitável os questionamentos  internos que fazemos sobre o assunto, nos sentimos incapazes, pensamos no futuro do casamento, nos questionamentos da família e da sociedade.
O médico que me deu a notícia me orientou no final da consulta a procurar o filho dele que é médico de fertilização. Aquilo pareceu-me muito comercial então pedi a uma grande amiga a indicação de um bom ginecologista.
Fui ao Dr. Claudio Bonduki em São Paulo e então a esperança voltou a me acompanhar. Ele me disse que primeiro deveríamos tratar a endometriose através de uma cirurgia já que é uma doença que pode evoluir para um tumor, e que após a cirurgia as chances de engravidar aumentariam muito.
Antes de chegar nesse cenário, eu e o Ronaldo estávamos casados a 5 anos e quando completamos 2 anos de união parei de tomar a pílula anticoncepcional. No primeiro ano sem o medicamento não me preocupei muito, afinal imaginei que não seria fácil após anos tomando contraceptivo, engravidar de primeira. Já no segundo ano preocupei-me, pensei que seria o momento de termos nosso bebê, mas nada acontecia. Fui então a 2 ginecologistas, um me falou que eu deveria ter relações sexuais todos os dias. A outra me pediu um exame essencial para o diagnóstico da endometriose a histerossalpingografia. Esse exame é temido pelo desconforto e dor que pode causar. Eu tive apenas algumas cólicas leves no dia e lembro que injetaram o contraste em minhas trompas e pediram que eu me levantasse depois para que o líquido saísse. Pulei, esperei, fiquei em pé e o liquido não saia. Tive que repetir umas 3 vezes o procedimento de levantar por causa disso e achei estranha a situação. Resumindo, o exame apresentou anomalia, mas como eu não apresentava cólicas e a médica não soube avaliar, fui dispensada como se não tivessem problemas, apenas um mioma pequeno foi diagnosticado.
Um ano depois e nada, uma amiga minha me incentivou a ir ao médico ver o mioma e repetir o exame. Procurei outro ginecologista do convênio médico e este pediu a repetição do exame e o anterior para comparar. Nesse exame constatava então a endometriose e endometrioma.
Fiz a cirurgia em setembro de 2014. Durante a cirurgia a situação estava mais grave que o previsto na ressonância que havia feito semanas antes. A endometriose estava espalhada na bexiga e no instestino. O Dr. Cláudio retirou o que podia mas disse que como não tinha um gastroenterologista junto, achou melhor deixar como estava e me aconselhou a fazer um tratamento pesado após a cirurgia. Disse para o meu marido que não poderia garantir que iria funcionar, o que me deixou bem apreensiva. Algumas semanas depois da cirurgia, tomei o Zoladex, um inibidor hormonal (que inclusive meu pai tinha utilizado meses antes de falecer de câncer), que iria agir no retrocesso da endometriose, já que esta “alimenta-se” dos hormônios produzidos pelo organismo.
Foram 6 meses de menopausa. Não produzia nenhum hormônio e os efeitos colaterais são os mais vastos. Foram 6 meses difíceis para mim e para meu casamento. Tive pressão alta, alergias diversas de pele, falta de apetite sexual, cabelos brancos, instabilidades emocionais... foi uma fase bem difícil.
Logo após terminar o tratamento  com o medicamento, esperei 2 meses até meu corpo voltar ao normal. Esperei mais 3 meses e nada de engravidar. Um dia o Ronaldo me chamou pra conversar, estávamos na praia e ele disse para que eu desencanasse, que se não desse certo, que poderíamos adotar uma criança ou fazer uma inseminação mais pra frente. Aquela conversa foi boa pois percebi que ele não me cobrava de nada, que eu me cobrava muito. E então fiquei relaxada, curtimos a praia e naquele final de semana engravidei da Alice.
Foram tantos obstáculos e no final percebi que eu era muito responsável por todas aquelas dificuldades. Fiz terapia na mesma época e percebi que as doenças na sua maioria são psicossomáticas, e que inconscientemente eu relutava muito em engravidar, tinha muitos medos e inseguranças. O conselho que dou para os casos de endometriose, além de procurar um bom especialista, é olhar para dentro de si e procurar entender seu momento e se estiver na hora, pedir que o Universo conspire a seu favor, afinal uma criança, uma vida é muito mais que um corpo. Independente de sua crença religiosa, é algo muito maior que foge ao nosso controle.

Comentários